A Gestão dos Riscos no Sistema de Gestão da Qualidade


   A norma NBR ISO 9001 sempre defendeu mitigar e evitar riscos, entretanto nesta versão, lançada em setembro passado, passou a requer explicitamente que as organizações identifiquem e contemplem os riscos que afetam a conformidade de produtos e de serviços aos requisitos especificados, e tem foco na maior satisfação do cliente e das demais partes interessadas.


   Além de identificar os riscos, a nova versão requer que as organizações também abordem as oportunidades de melhoria com base na análise de riscos, mesmo não exigindo seja criado um sistema de gestão de riscos formal.


Como tornar o risco parte dos processos organizacionais?


   Prevenir e corrigir ações indesejadas, assim como os seus resultados, já era requerido nas versões anteriores da NBR ISO 9001, mas estes requisitos se restringiam a alguns elementos específicos do processo de gestão da qualidade, e agora isto mudou e a mentalidade de riscos está presente em todas as cláusulas da norma.


   Por outro lado, a ISO editou também a norma NBR ISO 31000 que detalha a noção de gestão de risco de modo global para todas as Organizações, e propõe uma abordagem de gestão de riscos a nível organizacional ao tratar dos conceitos fundamentais de gestão de riscos e das oportunidades, como:


·       Evitar atividades associadas a um determinado risco.

·       Maneiras aceitáveis para remover inteiramente uma fonte de risco.

·       Identificar as oportunidades e aproveitá-las em seu negócio.


   Outro exemplo de demonstração da preocupação da ISO para com a mentalidade de riscos é o caso da NBR ISO 9004 onde estão incluídas as necessidades e expectativas das partes interessadas e o impacto de risco sobre a estratégia e a inovação.


A NBR ISO 9001:2015 é revolucionária ou evolutiva?


   Nesta versão a norma NBR ISO 9001 evoluiu ao expandir sua visão, que era limitada em tentar encontrar a “causa raiz” de um problema, corrigir, e impedir que acontecesse novamente. Agora, com o conceito de mentalidade de risco, a identificação de problemas potenciais contidos nos riscos tem prioridade maior, pois são identificados e examinados os riscos sistêmicos que possam causar mais preocupações, em uma base mais ampla, que podem atingir a organização; além disso, a norma pede à organização para equilibrar a probabilidade diante do impacto desses potenciais eventos, reduzindo também a base de possíveis erros.


   Uma grande evolução se constatou no tratamento de eventuais mudanças planejadas de modo que é requerida a adoção e de uma sistemática para tratar destas situações e dos riscos e oportunidades que a mudança possa acarretar.


   A inclusão de outras partes interessadas é também um avanço, pois agora além de atender aos requisitos dos clientes, há que se tratar os requisitos dos funcionários, dos provedores, dos sindicatos, das comunidades onde a empresa atua, dos órgãos regulamentadores, dentre outros; consequentemente a amplitude dos riscos e oportunidades a serem identificadas e tratadas é muito maior e assim a probabilidade de ocorrências indesejáveis é muito menor.


Como a NBR ISO 9001:2015 ajuda a organização a gerir seu risco?


   Como já exaustivamente debatido a NBR ISO 9001:2015 não tem cláusula específica dedicada à “ação preventiva”, pois agora essa atividade está contida em um conceito mais amplo onde todo Sistema de Gestão da Qualidade é considerado uma ferramenta de prevenção ao requerer o levantamento e o tratamento dos riscos e oportunidades. Ou seja, a nova versão eleva o nível da gestão de riscos, assumindo que o sistema de gestão da qualidade é concebido como um todo para a prevenção ao identificar e evitar riscos e resultados indesejáveis.


Como a gestão de risco na NBR ISO 9001:2015 interfere na gestão da qualidade?


   A norma de gestão da qualidade sempre propôs um conjunto de regras consistentes e aceitáveis, e nesta nova versão foi dada maior ênfase aos impactos dos riscos e das oportunidades, fortalecendo o sistema de gestão da qualidade ao requerer que a alta direção assuma a posição de gerir riscos e oportunidades em seus negócios, e obriga a alta direção a: - ampliar sua perspectiva sobre a importância do Sistema de Gestão da Qualidade como ferramenta de gestão e de prevenção, - demonstrar maior conhecimento da organização e de seu contexto, e - evidenciar o seu engajamento e comprometimento para com o Sistema de Gestão da Qualidade. Assim fica claro que não houve um encolhimento da importância da gestão da qualidade, devido a não obrigatoriedade de se designar formalmente um Representante da Direção, pois estas decisões devem ser tomadas e acompanhadas exclusivamente pela alta direção.


Vale a pena iniciar a Travessia para a NBR ISO 9001:2015 agora?

 

    Sem dúvida pois, independentemente das datas das auditorias de acompanhamento ou de re-certificação, o grande ganho está em aproveitar a poderosa ferramenta de gestão em que o Sistema de Gestão da Qualidade se transformou.  


Espero que estas orientações o auxiliem na Travessia para a NBR ISO 9001:2015, e caso necessite mais informações entre em contato.